17 novembro, 2008

Formação dos Estados nacionais na América Latina.

O nacionalismo na América Latina.

A colonização e suas diversas vertentes foi um fator fundamental para a fragmentação da América como unidade territorial. As diferentes formas de exploração colonial se manifestaram através da utilização feita pelas metrópoles e foi um fator fundamental para a divergência destas unidades, que tinham tantas convergências entre si.

- América Hispânica: servidão ameríndia;
- América Lusitana: escravidão africana;
- América Anglo-Saxônica: plantações sulistas escravocratas e propriedades familiares nortistas;
- Caribe: plantations, nações micro-insulares e piratas.

O século XIX foi marcado pela estruturação dos Estados nacionais na América, e teve como ponto de partida os primeiros processos de independência, no início do mesmo.

As colônias espanholas e portuguesa foram palco de transformações políticas e econômicas, marcadas por guerras civis e conflitos na disputa por territórios, poder e influência.
A própria geografia territorial influenciou nas disparidades entre os diferentes espaços, tendo a metrópole dedicado maior interesse à núcleos específicos, que ficava concentrados e separados por barreiras geográficas, como desertos ou cordilheiras.

A invasão da Espanha pelas tropas francesas de Napoleão Bonaparte em 1810 catalizou todo o processo de independências na América Latina.
As elites criollas (filhos de espanhóis nascidos na América) influenciaram-se por ideaís iluministas de libertação da França e de república independente dos Estados Unidos, buscaram seus próprios processos emancipatórios através de líderes como Simon Bolívar e José de San Martí... os caras são fodaaaaa!!!

Com a restauração da Coroa em 1814, intensificaram-se os ideais de libertação frente a uma ofensiva recolonizadora da Espanha..
Bolívar então propôs, na Carta da Jamaica, a unificação da América Hispânica, desde o México até a Argentina e sua independência em relação à metrópole.

“ É uma idéia bastante grandiosa pretender formar uma só nação (...) Já que tem uma origem, uma língua, uma religião e os mesmos costumes deveria, por consequencia ter um só governo, que será configurado através de diferentes estados que haverão de formar-se. Mas não é possível, porque climas remotos, situações diversas, interesses opostos e caráter discrepante, dividem a América.”
Simon Bolívar, em Carta de Jamaica.

Mais tarde, em seu discurso Carta de Angostura, Bolívar insiste na necessidade de se partir da própria realidade e busca conscientizar o povo através de questionamentos sobre sua própria identidade.
A fragmentação territorial da América Hispânica se deu sobre forma de oligarquias regionais, que herdaram o modo administrativo metropolitano.

Bolívar, então presidente da Grã- Colombia, convocou o Congresso do Panamá, numa última tentativa de integração, mas poucas nações compareceram e o Congresso foi um fracasso.
Esta fragmentação foi fator gerador de diversos conflitos, guerras civis e de fronteiras, já que os novos Estados formaram-se baseados na defesa dos interesse da elite criolla e dos caudilhos políticos regionais.

O México ainda propôs iniciativas para reintegração, revelando ambições de tornar-se líder regionalmente, mas perdeu força após a Guerra com os Estados Unidos. O projeto bolivariano concentrou-se na América do Sul.
No fim do século XIX o hispano-americanismo foi substituído pelo pan-americanismo, graças à ascensão dos EUA como grande potência mundial e aos sucessivos fracassos nas tentativas integracionistas.
Este pan-americanismo teve suas bases na Doutrina Monroe, que foi um projeto norte-americano para estender sua influência à América Latina e impedir que nações européias pudessem fazer o mesmo.

A “América para os americanos” sintetizava a oposição entre república independente e colonialismo europeu e denotava o interesse norte-americano em estabelecer uma área onde tivesse acesso a mercados e comoddities.
Esse duplo caráter da Dotrina Monroe -anticolonial e expansionista- foi o principal fator para sua manutenção durante tanto tempo, servindo como base ideológica para a construção de toda esfera de influência dos EUA.

Formação dos Estados Nacionais

A fragmentação do território e a consequente formação dos Estados nacionais foram causadas por dois fatores fundamentais e inter-associados.

A Internacionalização do modo de produção capitalista: conduziu à uma maior internacionalização do poder burguês mundialmente, que buscava a expansão e internacionalização da economia. Esta economia internacional caracterizava-se por princípios de livre-comércio, divisão internacional do trabalho de acordo com as vantagens comparativas de cada país. Foi um processo de caráter econômico-social.

Emancipação das Colônias Ibéricas: estes processos emancipatórios tiveram influencia em no aspecto político-militar, contribuindo para a formação de um conceito de América Latina e seus limites territoriais.

A identidade nacional, da maneira como foi concebida, prevê a participação popular na vida política, ou ao menos da classe média mais intelectualizada. Na América espanhola a intensa participação popular e a existência de vertentes mais radicais foi motivadora de diiversos conflitos.

O poder político tinha caráter local e regional e este poder, geralmente representado pelas elites e criollos, não possuía senso nacionalista e suas negociações econômicas aconteciam preferencialmente com o exterior. Este fato iniba a construção de um mercado interno e de um maior desenvolvimento econômico dos novos Estados.

A unidade da América era um problema geopolítoco e econômico, já que não podia manter-se devido à enorme extensão territorial, demografia irregular, entre outros.

A disparidade entre a crescente ascensão dos EUA e aos grandes problemas enfrentados pelas nações latinas, deu espaço para a elaboração das mais diversas tentativas de integração, onde nações buscavam associar-se, sem, no entanto, perder sua autonomia ou soberania. Foi um complexo processo de associação e confrontamento entre as nações, que também buscavam sua própria auto-definição e identidade nacional.

Haviam duas correntes principais, e opostas, quanto ao relacionamento entre as nações latino- americanas.

Projeto Modernizador: seguia diretrizes dos países mais desenvolvidos. Buscavam avanço tecnológico e priorizavam modernização em detrimento das origens culturais.

Projeto Identitário: buscava a valorização da identidade latina, da soberania nacional e do aprofundamento dos laços de solidariedade. A valorização dessas soberanias visava a manutenção das independências políticas e da integridade territorial. Valorização cultural do latino, do indígena, do humanista e da não-intervenção dos países desenvolvidos nas nações latino-americanas.

2 comentários:

Lampreia disse...

Diga ae, qndo você falou no 5º parágrafo: "As elites criollas (filhos de espanhóis nascidos na América) influenciaram-se por ideaís iluministas de libertação da França"

Nesta época, quem dominava a França? Pois para ser libertada, primeiro, ela tem que estar presa, dominada ou algo assim!!!

Creio q o correto seria:
... ideais iluministas de liberdade, surgidos durante a Revolução Francesa...

Thaís, Taz e Isthá!!! disse...

Boa...

na verdade esse blog não é científico...é mais uma exposição das minhas (loucas) ideias e ideais!!!

colaborações serão sempre mto bemvindas (é assim q se escreve??? depois da reforma...já não sei mais...)